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Um dia na vida de... uma Ateniense

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1 Um dia na vida de... uma Ateniense em Qua 2 Abr 2014 - 22:02

Meu nome é Ariadne. Vivo em Atenas numa casa sem muitos luxos mas confortável.

Fui muito feliz em casa de meus pais, tive uma educação acima da média pois, além de ter aprendido a cuidar da casa e a gerir os escravos domésticos, meu pai fez questão de que eu aprendesse a ler e a escrever, o que é raro entre as atenienses de boas famílias.

Entre nós, normalmente só as mulheres de condição mais baixa e que têm de ajudar a família em oficinas, lojas e outros ofícios menos nobres, aprendem a ler e a fazer contas. Ou então as que se tornam hetairas, cortesãs de elite, por vezes mais cultas do que muitos cidadãos mas que jamais virão a casar.

Meu pai, contudo, de mente sempre aberta, um verdadeiro filósofo, pensava que uma cultura, ao menos básica, abriria a mente de todos, mesmo das mulheres e como são elas quem educa os filhos até cerca dos 7 anos, isso é importante na formação de futuros cidadãos.



A minha mãe não gostou da ideia, ela tinha sido criada de forma tradicional e temia que, se viesse a saber-se esta decisão de meu  pai,  nenhuma  família de bem me quereria  aceitar como esposa para um filho ou que este viesse a  desrespeitar-me.

Isso não aconteceu, porém, e Alceu, meu marido, até conversa comigo de vez em quando e já algumas vezes pediu a minha opinião sobre assuntos da Cidade, o que é absolutamente extraordinário. E nunca deixou de me respeitar. Prova disso mesmo é o facto de, excepto nas noites que comigo passa, não se esquecer de, quando escurece, me fechar no meu quarto, protegendo-me assim de qualquer intruso inoportuno.

Aliás, mesmo não fechada, os meus dias são quase todos passados no gineceu, aposentos destinados às mulheres.


Levanto-me quando nasce o  Sol,  coloco um manto sobre os ombros e desço à cozinha para supervisionar  o que vai ser servido na refeição da manhã: um pouco de pão, figos, umas colheradas de mel. Tudo está em ordem e pode seguir para o andron onde já alguns amigos estão à espera de meu marido. Ainda não o vi esta manhã e é provável que não o veja, ele não teve tempo de entrar quando veio abrir o Gineceu e agora já está  atrasado .  Irá com os seus amigos até ao Ágora, é um cidadão responsável    que  sabe que o seu dever é tomar parte nas decisões que dizem respeito à Cidade.


Provavelmente só o  voltarei a ver ao fim do dia, com quase toda a certeza quererá, depois dos deveres cívicos, passar algum tempo com os amigos a debater Filosofia e só depois regressará a casa. Poderemos então jantar juntos a não ser que ele venha acompanhado de amigos, caso em que, como esposa recatada que sou, não sairei de meus aposentos.


Nessas ocasiões, o que mais me custa a suportar  é a presença , de vez em quando, de hetairas. Bem sei que ninguém as respeitará como me respeitam a mim mas a verdade é que se divertem muito mais e, sobretudo, ninguém contesta que se interessem por Literatura, Teatro, Filosofia, pelo contrário, as mais apreciadas são exactamente as que conseguem manter uma conversação inteligente sobre esses  temas.



Já no meu caso, bem posso agradecer aos deuses que meu marido me permita continuar a ler e a alargar conhecimentos, embora tenha de o fazer quase às escondidas para não o envergonhar perante os seus pares.
Bem, chega de pensamentos que a nada levam. Tenho de ir supervisionar os trabalhos em casa, ver o que é necessário mandar comprar ao mercado, decidir o que se fará para a ceia, enfim, fazer o que se espera de uma mulher ateniense.


Sinto-me muito indisposta, contudo, e a rotina da casa há alguns dias que me cansa de uma forma não habitual.Elena, a minha velha ama, que me acompanha desde menina e que percebe destas coisas, diz-me que estou grávida mas eu prefiro ter a certeza absoluta antes de contar a Alceu. Estou muito dividida em relação a ser mãe. Egoisticamente gostaria de ter uma menina, porque poderei amá-la sem receio de que a separem de mim aos 7 anos de idade, coisa que será feita se for rapaz e terei de me contentar em vê-lo de fugida ao fim do dia. Mas, pensando na felicidade da criança que aí vem, melhor ser rapaz; poderá frequentar livremente o ginásio e praticar desportos, quem sabe se atingirá mesmo a glória nos Jogos Olímpicos; poderá viajar, poderá estudar, poderá administrar livremente os seus bens, poderá opinar e participar no governo  da  Cidade.  Se for menina, aprenderá o necessário para tornar o lar organizado e eficiente, de forma a agradar ao marido que seu pai lhe escolherá. Claro que, sendo minha filha, aprenderá um pouco mais, estou certa de que o pai não irá opor-se a isso.
Tenho de comer um pouco, a indisposição piora quando o estômago está vazio, disse-me minha sábia ama. A pasta de figo com mel que tanto gosto de comer de manhã, provoca-me náuseas nos últimos tempos. Elba trouxe-me uma infusão quente de folhas de oliveira e um pouco de pão com passas que ela mesma preparou. Com alguma dificuldade provo um pouco do pão e da tisana mas são demasiadas as tonturas e preciso de deitar-me um pouco. Hoje será minha ama a gerir a casa em meu nome. Felizmente que o faz maravilhosamente e que todos a respeitam e lhe obedecem como se fosse eu mesma a dar as ordens.
Ela preparou-me um banho quente ao qual juntou pétalas de rosas para qu o meu sono seja repousado e as náuseas  acalmem.   Fez-me muito bem. Envergo agora uma túnica larga e confortável e deito-me. Ela puxa uma manta até à minha cintura, acaricia-me os cabelos, canta um pouco para mim.



Minha querida ama, não sei que faria sem ti, não sei o que será de mim se me faltares um dia. De ti recebi  mais carinho que de meus próprios pais, tu tens sido o meu amparo, a minha professora, a minha leal amiga nos bons e nos maus momentos. Quero muito que estejas junto a mim quando o meu bébé nascer e que sejas a primeira a tomá-lo  nos braços.
Bem, tenho quase a certeza de que estou grávida mesmo. Que Hera permita que Alceu volte cedo e sozinho para casa. Vou contar-lhe. Acho que ele ficará radiante. Vai querer um rapaz, claro mas meu marido tem um carácter doce e acolherá uma menina quase com a mesma satisfação e com o mesmo amor. Que volte rápido e venha ver-me logo. Preciso de dormir, agora. Preciso de dormir…


_________________

Luna, minha Irmã, obrigada!
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2 Re: Um dia na vida de... uma Ateniense em Qui 3 Abr 2014 - 9:58

Clara adorei. 

Mulher linda e inteligente chama-se CLARA PIMENTEL.


_________________

Um beijo Luna
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3 Re: Um dia na vida de... uma Ateniense em Sex 4 Abr 2014 - 20:24

Hihihi... Porquê, e a Beatriz não é? Claro que sim, e de que maneira!!!

Bom fim de semana!


_________________

Luna, minha Irmã, obrigada!
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