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Voz aos Poetas

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1 Voz aos Poetas em Dom 9 Jun 2013 - 12:18

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No Dia dedicado a Portugal que voz melhor do que a dos Poetas para dele falarem?

E porque os Poetas Portugueses não se resumem a Camões e Fernando Pessoa, outras vozes há que valem a pena ser ouvidas:



Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil

Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,

E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado

Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Miguel Torga, in 'Diário X'



Pátria



Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento

E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen


Exílio


Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncios e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades


Sophia de Mello Breyner Andresen


Poema da Memória


Havia no meu tempo um rio chamado Tejo
que se estendia ao Sol na linha do horizonte.
Ia de ponta a ponta, e aos seus olhos parecia
exactamente um espelho
porque, do que sabia,
só um espelho com isso se parecia.


De joelhos no banco, o busto inteiriçado,
só tinha olhos para o rio distante,
os olhos do animal embalsamado
mas vivo
na vítrea fixidez dos olhos penetrantes.
Diria o rio que havia no seu tempo
um recorte quadrado, ao longe, na linha do horizonte,
onde dois grandes olhos,
grandes e ávidos, fixos e pasmados,
o fitavam sem tréguas nem cansaço.

Eram dois olhos grandes,
olhos de bicho atento
que espera apenas por amor de esperar.


E por que não galgar sobre os telhados,
os telhados vermelhos
das casas baixas com varandas verdes
e nas varandas verdes, sardinheiras?
Ai se fosse o da história que voava
com asas grandes, grandes, flutuantes,
e poisava onde bem lhe apetecia,

e espreitava pelos vidros das janelas
das casas baixas com varandas verdes!
Ai que bom seria!
Espreitar não, que é feio,
mas ir até ao longe e tocar nele,
e nele ver os seus olhos repetidos,

grandes e húmidos, vorazes e inocentes.
Como seria bom!

Descaem-se-me as pálpebras e, com isso,
(tão simples isso)
não há olhos, nem rio, nem varandas, nem nada.


António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'




Portugal


Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!


*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...


Alexandre O´Neill



Portugal

O teu destino é nunca haver chegada
O teu destino é outra índia e outro mar
E a nova nau lusíada apontada
A um país que só há no verbo achar

Manuel Alegre, in Chegar Aqui




E, para terminar este pequeno conjunto de poemas que, como é evidente, tem muito a ver com o meu gosto pessoal, deixo um de Fernando Pessoa que, à luz do que hoje se passa no meu País, podemos considerar absolutamente profético:


NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!


Fernando Pessoa in Mensagem


_________________
Obrigada Soninha Querida
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2 Andas muito inspirada ;) em Seg 10 Jun 2013 - 15:32

É mais fácil fazermos poemas sobre cidades do que fazermos poemas sobre nações. Parabéns pela escolha, está excelente!


_________________
Obrigada FazendeiroGeorge
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3 Re: Voz aos Poetas em Seg 10 Jun 2013 - 17:24

Partilho a mesma opinião da Sandra, e deixo mais um de quem gosto muito também.

Ó GLORIOSA SENHORA DO MUNDO

Ó gloriosa Senhora do mundo,
Excelsa Princesa do Céu e da Terra,
Formosa batalha de paz e de guerra,
Da Santa Trindade secreto profundo!

Santa esperança, ó Mãe de Amor,
Ama discreta do Filho de Deus,
Filha e Mãe do Senhor dos Céus,
Alva do dia com mais resplendor!

Formosa barreira, ó alvo e fito,
A quem os Profetas direito atiravam,
A Ti gloriosa os Céus esperavam,
E as Três Pessoas, um Deus infinito.

Ó cedro dos campos, estrela-do-mar,
Na serra ave Fénix, uma só amada,
Uma só sem mácula e só preservada,
Uma só nascida, sem conto e sem par!

Do que a Eva triste ao mundo tirou
Foi o teu fruto restituidor;
Dizendo-te ave! o embaixador,
O nome de Eva te significou.

Ó porta dos paços do mui alto Rei,
Câmara cheia do Espírito Santo,
Janela radiosa de resplendor tanto,
E tanto zelosa da divina Lei!

Ó mar de ciência, a tua humildade
Que foi senão porta do céu estrelado?
Ó fonte dos Anjos, ó horto cerrado,
Estrada do mundo para a Divindade.

Quando os Anjos cantam a glória de Deus,
Não são esquecidos da glória tua;
Que as glórias do Filho são da Mãe sua,
Pois reinas com Ele na corte dos Céus!

Pois que faremos os salvos por Ela,
Nascendo em miséria, tristes pecadores,
Senão tanger palmas e dar mil louvores
Ao Pai, ao Filho e Espírito e a Ela!

GIL VICENTE


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Um beijo Luna
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