Hora Certa
Últimos assuntos
» Um Natal mais simples
Sab 12 Dez 2015 - 19:25 por Sonia Momoi

» Retorno
Dom 4 Out 2015 - 10:30 por Rose.rslam

» Caixas para a secretária da mamã
Sab 3 Out 2015 - 17:50 por Luna Bijoux

» Mudanças em casa
Sex 11 Set 2015 - 19:12 por Maria Jose zanin

» Como fertilizar uma terra que já não dá «chão para uvas».
Qui 10 Set 2015 - 9:25 por Rose.rslam

» Olá
Qui 10 Set 2015 - 9:07 por Rose.rslam

» Ideia criativa para uma varanda
Qua 9 Set 2015 - 21:01 por Beatrizz_20665

» Os meus jardins em casa
Qua 10 Jun 2015 - 23:03 por Rose.rslam

» Cozinhando com o Sol - Parte 2
Qua 10 Jun 2015 - 22:54 por Rose.rslam

Palavras chave

Buscar
 
 

Resultados por:
 


Rechercher Busca avançada

Julho 2017
SegTerQuaQuiSexSabDom
     12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31      

Calendário Calendário

Parceiros
Fórum grátis


Você não está conectado. Conecte-se ou registre-se

Dia de Portugal é também Dia de Camões

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo  Mensagem [Página 1 de 1]

1 Dia de Portugal é também Dia de Camões em Sab 8 Jun 2013 - 17:05

Admin

avatar
Admin
Admin
A 10 de Junho de 1580 morria Camões, um génio, considerado por muitos o maior Poeta Português. Segundo a maioria dos Críticos e Estudiosos apenas no século XX um outro génio esteve à sua altura: Fernando Pessoa.
De Camões muitos conhecem a epopeia, Os Lusíadas, em que o Herói é colectivo, é o Povo Português, menos são aqueles que conhecem a Lírica, a maravilhosa lírica que nos deixou. Deixo aqui dois exemplos.
Um soneto dedicado a Dinamene, a sua amada chinesa que se afogou no naufrágio que tabém ao Poeta ia custando a vida e um poema que pode ser considerado um dos primeiros poemas anti-racistas europeus:
Alma Minha Gentil, que te Partiste


Alma minha gentil, que te partiste

Tão cedo desta vida descontente,

Repousa lá no Céu eternamente,

E viva eu cá na terra sempre triste.



Se lá no assento Etéreo, onde subiste,

Memória desta vida se consente,

Não te esqueças daquele amor ardente,

Que já nos olhos meus tão puro viste.



E se vires que pode merecer-te

Algũa cousa a dor que me ficou

Da mágoa, sem remédio, de perder-te,



Roga a Deus, que teus anos encurtou,

Que tão cedo de cá me leve a ver-te,

Quão cedo de meus olhos te levou.


---------------------------------------------------


Endechas a Bárbara escrava

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

U~a graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E. pois nela vivo,
É força que viva.


_________________
Obrigada Soninha Querida
Ver perfil do usuário http://emcasaforum.ativoforum.com

2 ... E toda a gente sabe .... em Seg 10 Jun 2013 - 15:39

... o fim que este grande poeta teve nas mãos dos Portugueses: a passar fome e a pedinchar ao rei a "mensalidade" que ele lhe tinha prometido...

Faço minhas as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen:


"Camões e a tença"


Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invoscaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


_________________
Obrigada FazendeiroGeorge
Ver perfil do usuário
Também amo esse poema (como quase todos) de Sophia. E, já que estamos a falar de poemas sobre Camões, que tal este de Jorge de Sena, sobre os invejosos do seu tempo e os oportunistas de hoje?

Camões dirige-se aos seus contemporâneos

Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
Para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Jorge de Sena







Última edição por Clara Pimentel em Seg 10 Jun 2013 - 16:05, editado 1 vez(es)


_________________

Luna, minha Irmã, obrigada!
Ver perfil do usuário
Bem dito! Faço minhas as palavras de Jorge de Sena! Razz


_________________
Obrigada FazendeiroGeorge
Ver perfil do usuário
Eis o poema que mais conhecido de Luís Vaz de Camões.

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


_________________

Um beijo Luna
Ver perfil do usuário

6 Quando não te Vejo Perco o Siso em Seg 10 Jun 2013 - 17:42

Formosura do Céu a nós descida, que nenhum coração deixas sento, satisfazendo a todo pensamento, sem que sejas de algum bem entendida;

Qual língua pode haver tão atrevida, que tenha de louvar-te atrevimento, Pois a parte melhor do entendimento, no menos que em ti há se vê perdida?

Se em teu valor contemplo a menor parte, vendo que abre na terra um paraíso, logo o engenho me falta, o espírito míngua.

Mas o que mais me impede ainda louvar-te, é que quando te vejo perco a língua, e quando não te vejo perco o siso.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"


_________________
Ver perfil do usuário http://forumfarmer.forumeiros.com/
Sem dúvidas Camões escreveu uma boa e grande parte do que há de melhor em poemas e os portugueses devem ater no peito e sentir mesmo muito orgulho por isso também.

Cito o poema que a querida Beatriz postou pois é o meu favorito, o que acho mais lindo, mais verdadeiro rsrs
Como pode uma pessoa ser dotada de tamanha sensibilidades?
Em tudo o que leio e que foi escrito por Camões é mesmo como se ele tivesse vivido e sentido tudo o que diz.


Beatrizz_20665 escreveu:Eis o poema que mais conhecido de Luís Vaz de Camões.

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


_________________
Ver perfil do usuário

Conteúdo patrocinado


Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo  Mensagem [Página 1 de 1]

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum